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O Futuro de uma nova Arquitetura

Novamente, retomo a questão do desenvolvimento de um meio urbano sem agredir o ambiente natural. É fato que haja uma preocupação imediata, pois é preciso zelar para as gerações futuras, já que o homem retira da natureza todos os recursos para sobreviver e viver...e ninguém sabe se estaremos vivos ou não daqui uns 100, 200 ou milhões de anos. Desse modo, é necessário reinventar algumas ideias sobre como nos abrigamos e nos comportamos e assim aprimorar o meio social.

Este vídeo complementa e questiona um pouco mais sobre este tópico.

http://www.youtube.com/watch?v=gTUYTuvKM0U&feature=related


Eu Indico:

Flex Eventos é uma empresa que se destaca por detectar as necessidades do mercado e antecipar tendências, criando e abrindo caminhos para a Arquitetura.
Acesse o site e confira:

http://www.flexeventos.com.br/secoes/artigos/341,arquitetura-sustentavel-(arquitectura-sustenible).aspx


Confira também:

-Consultoria de Arquitetura Sustentável

http://www.criaarquiteturasustentavel.com.br/


- Portal da Sustentabilidade

http://www.sustentabilidade.org.br/conteudos_sust.asp?scateg=105


-Curso de Arquitetura Sustentável

http://pro.casa.abril.com.br/events/curso-de-arquitetura


Perguntas a Roberto Burle Marx

Paisagem, Botânica e Ecologia

"JACQUES LEENHARDT - A seu ver, a forma de expressão artística - a concepção de jardins - pode desempenhar um papel pedagógico, ou social?

ROBERTO BURLE MARX -A missão social do paisagista compreende, em sombra de dúvida, um aspecto pedagógico. Cumpre-lhe fazer compreender e a mar o que a natureza representa, com a ajuda de seus jardins e de seus parques. No Brasil, onde reina um desamor característico pelo que é plantado, a experiência ensinou-me a sempre insistir sobre a transformação das mentalidades. Podemos contribuir para isso, agindo.(...)

As dificuldades - num país como o Brasil, particularmente marcado pelo desflorestamento e a destruição dos sítios naturais - não são numerosas?

Poderíamos dizer que as plantas foram criadas pelo homem, adotando-se um ponto de vista antropocêntrico. Sob esse ponto de vista, o mundo europeu, com uma flora altamente domesticada, estabelecia uma relação bastante equilibrada entre o homem, a árvore e a floresta. Mas quando da conquista do Novo Mundo, sobretudo ao ver-se diante da floresta tropical, o europeu amedrontou-se. Para ele, essa floresta transformou-se no refúgio impenetrável dos indpigenas e de seres agressivos como a pantera, a serpente, a aranha, o crocodilo ou os mosquitos. Daí a necessidade, que se impôs às mentes, de abrir clareiras estratégicas e a angustiada compulsão de derrubar árvores e destruir a floresta. A abertura de espaços para o gado e as plantações exigiu uma derrubada extensiva.
Sem dúvida o homem "civilizado" retomou a técnica tradicional dos índios que consistia em plantar sobre as queimadas. Mas essa prática estava associada à migração à migração nômade dos povos indígenas. Os "civilizados" sedentários desenvolveram-na extensivamente no espaço, e hoje ela é praticada com uma intensidade jamais atingida no passado, na proporção da potência das máquinas utilizadas (os tratores), a cada dia mais eficazes. Uma só dessas máquinas pode, num único dia, destruir milênios de evolução biológica. Esse é o quadro melancólico com que nos defrontamos, impotentes que somos diante da violência terrível das lógicas - a moral, a técnica, a social, a econômica e a psicológica - do mundo contemporâneo.
(...)
Voltando ao tema do desflorestamento, que é sem dúvida mais grave para os países tropicais do que nos climas temperados: um de seus principais efeitos reside na transformação dos climas e dos microclimas, bem como na destruição do capital coletivo representado pela fertilidade dos solos. O desflorestamento acarreta a desaparição da fauna, começando então um processo de desertificação dificilmente reversível. Trata-se, no caso, de um atentado perpetrado pela humanidade contra as fostes de vida e de uma forma de destruição das gerações futuras.

Num país tão rico quanto o Brasil no plano da flora, que significa para o paisagista inventar formas novas?

No Brasil o paisagista está livre para trabalhar e construir jardins baseados numa realidade floral de imensa riqueza. Ao mesmo tempo em que respeita as exigências da compatibilidade ecológica e estética, pode criar associações artificiais muito expressivas. O fato de criar uma paisagem artificial não implica na negação nem, bem entendido, uma simples imitação da natureza. É preciso saber transpor e associar, com base em critérios seletivos e pessoais, os resultados de uma observação atenta e prolongada. (...)"



Referência: Leenhardt, Jacques. Nos jardins de Burle Marx, ed. Perspectiva